Domingo, 20 de Abril de 2008

Prova qualificativa para o Nacional de AG

Existem duas formas para um par/grupo se apurar para o nacional de AG. A primeira - e mais desejada - é o apuramento directo no distrital, ou seja, quando um grupo (sénior) consegue ter uma soma de 49 pontos nos dois esquemas no distrital, isso significa que, independentemente da sua classificação, esse grupo tem participação garantida no nacional. Contudo, ter 49 de soma nos dois esquemas não é tarefa fácil e, com o meu trio lesionado, isto foi-me impossível de concretizar. Por isso, apenas me restava a outra alternativa: a prova qualificativa.

Dias depois do distrital, saiu na net a circular de prova e a informação de quantos trios estavam inscritos para a prova e, desses, quantos passavam. Portanto, dois trios tinham tido apuramento directo, quatro trios iam à qualificativa e, desses quatro, três deles - o pódio - passavam ao nacional. Isto era o que estava escrito no site oficial da FPTDA (Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos).

Durante as quatro semanas que separaram o distrital da qualificativa, eu só pensava em melhorar o esquema e ter mais dificuldade naquilo que fazíamos, tendo sempre em mente a lesão da minha volante. Escusado será dizer que, na última semana, os nervos estavam a tomar conta de mim. Mas eu simplesmente não podia deixar que isso se notasse, especialmente nos treinos. A minha intermédia andava pessimista e a minha volante receosa. Se eu, que aparentava confiança e descontracção - que tenho a certeza que estavam a irritar a Carla - deixasse escapar o meu nervosismo, de certo que o clima no trio seria comparável ao de um filme de terror.

Por isso, mesmo estando a morrer de nervos, eu lá consegui pôr um sorriso na cara e um ar confiante e, sábado de madrugada - ou seja, ontem - lá sai eu de casa, em direcção à casa da Carla para, de lá, seguirmos até ao estádio, local de encontro para sair para a Maia. Pessoal todo junto, divisões para as duas carrinhas feitas e siga para o norte.

Na carrinha, o clima de loucura e as altas gargalhadas eram, a meu ver, uma forma de esconder os nervos. Discussões por causa dos ganchos, da maquilhagem e das purpurinas - mon dieu, eu parecia o Edward Cullen quando exposto ao sol de tão brilhante que estava - lá conseguimos ter uma aparência minimamente para a prova. Após vários berros do tipo "ESTAMOS ATRASADAS, VASCO VAI MAIS DEPRESSA!" chegámos ao pavilhão mesmo em cima da hora para o período de aquecimento.

Depois de aquecer articulações e individuais de equilíbrio, fomos até ao praticável para aquecer as séries de mortais. Pedi à Carla para ficar ao lado enquanto eu fazia o meu primeiro mortal atrás do dia. Mas, como o praticável da prova salta quase o triplo do nosso, o meu mortal (4/4) passou a 5/4 e eu saí disparada para fora do praticável, batendo com o rabo no chão, mesmo ao lado da mesa de juízes. Isto começava bem.

Aquecimento feito, fomos dar os últimos retoques ao penteado e à maquilhagem, sempre atentas para ver quando eram os outros três trios - nós éramos as últimas a fazer esquema. Depois de várias gargalhadas nervosas devido aos comentários do JP, corpo direito, queixo para cima e vamos para prova. Apresentações, posição inicial, começa música e, com ela, começa esquema. Primeiro dinâmico: Duplo mortal à frente de estafa. A minha volante tremia como eu nunca vi e, pior, ela fez duplo sem sequer flectir as pernas.

No fim do esquema, estávamos realmente satisfeitas. As coisas tinham saído todas, a artística foi bastante boa e, quando o rank dos primeiros esquemas saíram, estávamos em primeiro. Portanto, metade dos nervos já tinham ido embora, mas agora faltava o esquema de equilíbrio que é onde se costuma errar menos. E nós tínhamos duas posições de risco, uma das quais falhou no aquecimento antes da prova.

Estávamos no praticável de aquecimento à conversa com o JP sobre a prova quando eu me lembrei de confirmar que eram os trios do pódio que passavam ao nacional. Contudo o JP apenas olhou para mim de lado e disse que falamos disso depois da prova. Eu pensei que era para não agoirar, já que tínhamos o primeiro lugar ao nosso alcance. Não liguei e fomos apresentar equilíbrio.

Primeira posição... feita. Sai asneira na coreografia seguinte. Série e segunda posição - o pino da Rita. Ela sobe para pino e marca. Um segunda, dois, três, descida para stalder, a posição estava feita! "Eu amo a tua volante!" foi o que disse à Carla quando a Rita estava em stalder. Descemos da posição, fizemos a coreografia, os individuais, mais uma asneira na coreografia, a posição final, a última coreografia e estava acabado.

Saímos do praticável, apresentámos aos juízes, satisfeitas e sorridente por ter corrido tão bem. Chegámos ao pé do JP e, então, ele resolve dizer-me que: "Eles enganaram-se nas contas para os apurados. Andaram a distribuir folhetos hoje de manhã a explicar quem é que passava e, dos trios, apenas o primeiro lugar passa!" Eu entrei em pânico ao ouvir isto. A prova estava feita, os notas prestes a serem lançadas e eu sabia que tinha feito asneira nos dois esquemas. Asneiras essas que naquele momento não podia remediar. E se elas nos custassem a prova? E se aquelas pequenas coisas em que não pensei durante o esquema fossem o que nos arrastaria para fora da época?

Mãos dadas, braços sobre os ombros e as cinturas umas das outras. Bastava-nos 22 pontos para o apuramento. Começam a sair as notas de artística e execução. Acreditem, se eu fosse religiosa, eu estaria a rezar naquele momento. E sai, finalmente, as notas finais. Vinte e três pontos de esquema de equilíbrio, quarenta a cinco de final, Rank: 1. Nós gritámos, sorrimos, abraçámo-nos, e só não houve lágrimas porque a adrenalina e os nervos não mo permitiram. O pódio era nosso, o campeonato nacional estava de portas abertas para nós.

Prova terminada, desfile de atletas, e somos chamadas ao pódio. Eu estava tão incrivelmente feliz que não consegui deixar de sorrir enquanto as ginastas do segundo e terceiro lugar nos cumprimentaram, nem quando a juíza chefe de painel nos entregou as medalhas. A minha primeira medalha da FPTDA por trio era ouro! Não podia estar mais feliz, satisfeita e orgulhosa de mim e do meu trio maravilhoso e perfeito.

No balneário as gargallhadas de alívio eram mais que muitas. Relembrar as asneiras e começar a pensar já no que fazer para o nacional. São cinco semanas de preparação e pelo meio temos a bela da queima das fitas. O que significa que, dessas cinco semanas, uma pré-prova e outra é ressaca todo o santo dia. Vai ser bonito, vais.

Nacional, espera por nós, carai!! :D

Just

Sábado, 12 de Abril de 2008

B-day and Party!


Disclamir: Além do post ser enorme - o maior desde o início do blog - Ele contém, mais uma vez, cenas que são impróprias para menos de 18 anos, devido a comportamentos loucos e que não devem servir de exemplo a ninguém. Enjoy xD
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Esta semana foi a loucura total. Eu esperei para postar isto hoje porque queria inserir neste texto a noite de quinta-feira. Como vários de vós devem saber, eu fiz anos no dia 7 - OMG, estou a ficar velha! Começando:

Domingo, 6 de Abril, 23h45. Estava eu muito bem e feliz a escrever uma das minhas fics, a ouvir música alta e à conversa no msn quando, subitamente, tocou o meu telemóvel (Cell-phone ;P). Olhei para o visor e vi "Sofia". Pensei, "Porque raios me está ela a ligar a esta hora? Não me vai dar os parabéns antes da meia noite, eu juro que lhe bato!" Atendi.

- "Vem à janela!" disse-me.

Colei. Corri até à janela e, assim que a abro, vejo a doida da Sofia com a doida da Mica paradas à porta de minha casa. "Isto não é normal!" pensei. Desmanchei-me a rir e desci para lhes ir abrir a porta. Entretanto, elas convenceram-me a ir dar uma volta e ir beber café a qualquer lado. Mudei de roupa e apressei-me a sair de casa. Assim que chegámos à rua, aquelas loucas começam aos berros a cantar os parabéns - era meia-noite certa.
Vocês não existem!! xD

Seguimos caminho pela Sá da Bandeira a cima, sempre à conversa e sempre a rir feitas loucas, super divertidas naquela nossa "girls-night" improvisada. E este foi apenas o meu primeiro presente. Estávamos perto do ‘Boggati’ - que se encontrava fechado - quando a minha melhor amiga me manda sms a dar os parabéns e a dizer que: "O meu pai diz que, se as coisas forem bem combinadas, podemos ir para Itália no Verão!" Eu fiquei tão louca, tão eufórica, tão feliz quando li aquilo. Passar uma semana de férias em Itália, com as duas melhores amigas do coração é, simplesmente, MARAVILHOSO. Juro, eu nunca pensei que pudesse receber melhor presente que este.

Acabámos por ir comer qualquer coisa ao Cartola onde estivemos à conversa até perto da 1h30. Regressamos para minha casa logo depois, sempre com conversas doidas e maluqueira à mistura - eu tenho fotografias em cima de um pino perto do mercado. Claro que a minha noite foi cinco estrelas graças a estas duas meninas - Eu adoro-vos, pa!

Contudo, no dia seguinte acordei com uma sms de parabéns da minha irmã de coração - vocês sabem, ‘aquela’ amiga que conheço desde que nasci, com quem cresci e passei inúmeros momentos. Agradeci, satisfeita por ela - como sempre - se ter lembrado do meu aniversário e perguntei como ela estava. Foi nesse momento que eu recebi o maior choque e o melhor presente que me podiam ter dado. A sério, eu fiquei totalmente perdida e boquiaberta quando, ao abrir a mensagem - enquanto dançava e cantava uma música da Disney - de deparo com a seguinte frase:

"Vais ser tia!"

Eu fiquei estática, de pé, com um joelho apoiado na borda da cama, a música ainda alta e semi despida (estava a trocar de roupa para sair), a olhar para o telemóvel com a maior cara de parva que vocês possam imaginar. Tia... eu vou ser tia de uma menina que vai nascer para a segunda semana de Agosto. Vocês não têm noção do quão feliz eu fiquei com esta notícia.
Almoço com a Emile e aula de Design ao fim da tarde. Jantar com a Cati e a Cici. Foi perfeito o nosso jantar. Eu estava com tantas saudades da Ci, há meses que eu não a via, e estar a jantar com ela e com a Cati, quando antes tínhamos estado de volta das fotografias do nosso 6º ano (ou seja, há 7 anos atrás) - como nós éramos, Merlin!! - foi realmente maravilhoso. Cheguei a casa super feliz e satisfeita com o dia de anos.

Claro que a menina Sofia não podia me deixar "escapar" a fazer um jantar de anos e, já que iria haver convívio do meu curso na quinta - dia 10 -, nós aproveitámos para fazer o jantar nesse dia (detalhe: foi em casa da Sofia). Então, nós, como meninas bem comportadas que somos, fomos às compras para o jantar. Sete frangos e um garrafão de vinho para fazer sangria. Chegadas a casa, começamos a tratar da bebida, esperando que aquilo ficasse "bebível".

Sangria feita e convidados na mesa, começou os brindes e, com eles, o descalabro total. Depois de ter bebido quatro copos de sangria, houve uma certa alma inteligente que se lembrou de ir buscar poncha - bebida da Madeira que tem grande teor alcoólico - e de me pôr a beber aquilo a penalti. Resultado, ainda não tinha saído de casa e já estava a ver tudo à roda. Foi quando começaram as conversas giras. De alguma maneira que eu desconheço, eu dei por mim no corredor da casa da Sof a falar com a Mica, com o Filipe e com o Sixty-nine e a fazer de tudo para conseguir que eles se beijassem. Claro que, estando eles num estado mais sóbrio que eu, a única coisa que consegui foi ver o Filipe ir a correr à cozinha e espetar um beijo ao Carlo. Eu juro que não me lembro porque raios é que ele fez aquilo. Claro que, enquanto eu estava na cozinha, o Sixty-nine apareceu (ou já lá estava, não tenho certezas de nada) e, por algum motivo que eu desconheço, ele pegou-me ao colo e virou-me de cabeça para baixo, o que me deixou deveras tonta. (J, tu ias-me matando! xD)

Claro que, antes de sairmos de casa, eu ainda consegui dar um beijo à Mica - não sei, não me lembro, não perguntem. Metemo-nos no elevador (eu, a Mica e o Filipe) e fomos até à rua. Lá em baixo, a conversa dos beijos continuava e, de alguma forma, eu apenas me lembro de agarrar o Filipe, dar-lhe um beijo e ter a mão da Mica no meu pescoço a empurrar-me para longe dele. O que me espantou foi que, logo em seguida, apareceu a Sofia e devido ao conteúdo da nossa conversa, eu apenas a sinto a virar-me a cara e a espetar-me um beijo também. Bonito, três beijos a três pessoas diferentes em menos de vinte minutos.

Seguimos caminho pelo DV em direcção ao club de Rugby, onde iria ser o nosso convívio. Chegámos lá e aquilo ainda estava às moscas. Resolvemos, então, que iríamos até ao Carlota beber um fino enquanto esperávamos que aquilo ficasse com mais gente. No Cartola, eu mandei uma sms à Cati para ver onde ela andava e a informar que eu já tinha demasiado álcool a correr-me nas veias. Foi nessa altura que eu fui parar a um pequeno café do outro lado da rua. Estava lá com a Mica, com o Filipe e a namorada dele, com o Dani, o Sixty-nine e o Carlo (pelo menos que eu me lembre). Foi quando o Carlo me meteu um copo de favaítos para a mão e a Cati apareceu - oh mulher, tu ficas histérica com cerveja a mais xD.

Foi por volta desta altura que a Sofia pediu ao Sixty-nine para tomar conta de mim, enquanto ela estava de volta da Mica. Então, eu, a Cati e o Sixty-nine, descemos a Sá da Bandeira em direcção ao bar dos shots. Íamos deixar lá a Cati e cumprimentar alguém. Eu tenho-vos a dizer que eu devia estar mesmo muito bêbeda, porque eu desci e voltei a subir a Sá da Bandeira - aquela rua é enorme! - sem sequer reclamar, o que, no meu estado normal, teria sido a primeira coisa a fazer. Portanto, rua acima com conversas que eu tenho a leve sensação de terem sido meias doidas - mas só uma leve sensação -, e lá chegámos ao club de Rugby, onde o resto do pessoal se encontrava.

Bem, no Rugby eu fiquei a par de conversas e apostas loucas e sem sentido que elas tinham inventado. Fiquei também a saber que a insanidade tinha-se apoderado das minhas amigas que elas estavam, simplesmente, doidas! Depois disso - e eu tenho uma branca neste espaço de tempo - eu dei por mim, sozinha com o Sixty-nine, no bar do club de Rugby, enquanto ele pedia dois finos (aquilo eram finos, J?) e me puxava para não me perder enquanto ele ia falar com o padrinho dele.

Desconheço como é que ele me tirou de dentro do Rugby e, a memória seguinte que eu tenho, é de estar a conversa com a Sofia, a Mica e a Rhodes e, subitamente, uma delas (ou eu, sei lá!) virar-se e dizer: "vamos dar um beijo a quatro!" Resultado, a bebida fazia-nos pensar nessa sugestão como algo perfeitamente plausível, portanto, demos um beijo a quatro ali, no meio da rua, ao lado das Amarelas. Mais um espaço em branco na minha mente e estávamos todos no Noites Longas - um bar de "música pesada". Eu não sei o que fiz ou bebi por lá, não me lembro de nadaaaaa! A única coisa que me lembro depois disso, foi de estar a atirar-me para cima da cama em casa da Sof e de mudar de roupa em frente a dois gajos (bendita seja a minha mania de não tirar a roupa interior quando estou alcoolizada!).

Adormeci.

Manhã seguinte vieram as memórias, as conversas, as revelações da noite e as gargalhadas doidas por conta de tudo o que fizemos. Para resumir, concluímos que estávamos felizes e que foi uma noite excelente. Divertimo-nos imenso e, apesar dos pequenos contras, a noite foi 5 estrelas. Só posso dizer que realmente adorei, mesmo com todas as minhas nóias e implicâncias, e que na queima - Vinte dias!! - vai ser a puta da loucura total.

E, sem esquecer, claro:
J, obrigada por tomares conta de mim e por me teres aturado no lindo estado em que eu me encontrava, por não me deixares fazer asneira e por seres um gajo mesmo muito fixe que, mesmo com álcool no sangue, ainda sabe minimamente o que faz. Eu acho que tens de me contar tudo o que eu andei a fazer e o que eu te disse porque eu não me lembro de quase nada.
Really, obrigada, dear ^^

Just

Domingo, 23 de Março de 2008

Tirem-me daqui!!

Disclamir: Esta mensagem era para ter sido postada ontem, mas a net pré-histórica não mo permitiu.
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Mais uma vez, estou atrasada neste post. Deveria ter escrito esta primeira parte no domingo passado, mas o cansaço físico e psicológico não mo permitiu. Não escrevi durante a semana porque não andava com disposição para isto, mas agora - que estou enclausurada no meio de nenhures - decidi dedicar o meu tempo a este post.

Portanto, domingo passado, dia 16 de Março, o fantástico e maravilhoso trio sénior (aka CER) da Académica de Coimbra, ganhou o distrital de Acrobática. Depois de complicadas lesões, semanas sem treinar, stress pré-prova e discussões quanto às figuras que iríamos apresentar, nós conseguimos o nosso objectivo: ouro no distrital + apuramento para as qualificativas do nacional.

Tivemos falhas "graves" nos dois esquemas, falhas essas que nos poderiam ter custado caro caso esta fosse uma competição a nível nacional. Mas nós não podíamos pedir mais do que conseguimos. O facto de termos ido apresentar esquemas de dificuldade 7,60 a uma prova onde todos os riscos eram cortados e onde fizemos de tudo para ter esquemas onde os pés da nossa volante não tocassem no solo (a Rititi está com uma doença nos calcanhares que lhe provoca dolorosas lesões nos ossos), é uma verdadeira vitória. Com todos os ginastas da AAC medalhados e com a equipa sénior apurada para as qualificativas, os sorrisos de alívio e satisfação eram visíveis em todos nós.

Carla e Rita, eu adoro-vos muito ;*

Deixemos a Acro de lado e vamos, agora ao título do post. Vocês sabem aqueles sítios que vocês odeiam? Mas que odeiam mesmo muito, não importa o que as outras pessoas vos dizem deles, não importa se é um sótão escuro, a casa de uma tia ou uma cidade para onde alguém da vossa família gostava de ir? Pois é, eu estou enclausurada nesse sítio!

Uma aldeia onde toda a gente conhece toda a gente, onde qualquer coisa nova é a ‘fofoca’ da semana, onde não podemos sair à rua que já temos inúmeros olhares em cima de nós e várias pessoas de boca escancarada ao perceberem que "aquela é a neta do Alexandre e da Celeste!". É um verdadeiro inferno! Principalmente se vocês detestarem realmente ter de ser o centro das atenções e ficarem todo o santo dia trancados em casa. Nem é mau, pelo menos a televisão tem Cabo. O pior são as duas horas para conseguir connectar a net e o maldito frio.

Frio, sim, frio. Dia 22 de MARÇO, em plena PRIMAVERA, eu estou neste exacto momento sentada ao sofá com o pc no colo ao lado da lareira! Sim, lareira, fogo, calor! Por isso imaginem o frio que aqui não faz. E, se o frio já não bastava para me deixar irritada, a minha adorava avó teimou que eu estou "magra que nem um cão vagabundo!" e está farta de fazer quilos de comida e doces deliciosos que só ela sabe fazer. O problema? ISTO ENGORDA!!!

Ok, respirar fundo. Temos de pensar no lado positivo de estar tranquificada neste lugar medonho. Vejamos....
...

Não encontro lado positivo!

ALGUÉM SE IMPORTA DE ME TIRAR DAQUI?

E agora a minha net não liga! Ainda quero saber como vou postar isto no Roll the Dice! Enfim... Isto é realmente o fim do mundo. Eu ODEIO redondamente estar aqui. Digam o que disserem, não me interessa. O ar puro e o contacto com a natureza não conseguem, de maneira nenhuma, fazer-me simpatizar com isto! sou uma mulher da cidade, sempre fui. Posso gostar de natureza, mas como apreciá-la se não posso dar um passo sem as cabras das velhas cuscas andarem de olho atrás de mim. Sinceramente!! Se me visto de calças, sou travesti, se visto saia, sou puta, se não lhes falo, sou anti-social e mal educada, se falo, sou uma falsa e uma sínica!

Damn it!

EU ODEIO ISTO!! \m/

Sábado, 8 de Março de 2008

Entre gajos? Ou gajas?

Disclaimer: Este post é totalmente não indicado para menores de 18 anos por conter comportamentos indevidos e que não devem servir de exemplo a ninguém. Enjoy xD
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Este post demorou um pouco a ser escrito. Era para ter sido postado no fim-de-semana passado, mas eu não andava com muita paciência para escrever sobre o meu dia-a-dia e, ainda menos, sobre umas horas que me irritaram bastante. Por isso, decidi esperar que alguma coisa de interessante voltasse a cruzar o meu destino e, por coincidência, essa "coisa interessante" é perfeitamente conciliável com o post esquecido da semana passada.

Esta semana foi excepcional em dois sentidos e, estupidamente, esses dois sentidos têm uma coisa grave em comum - o álcool! Comecemos pelo jantar de curso na terça-feira passada. Como sempre, eu tive treino até tarde e não fui ao jantar, apenas apareci por lá depois das 22h30 para estar com o pessoal e ir curtir a noite académica. O problema é que, tirando uma ou outra pessoa que, por algum milagre, ainda estavam minimamente sóbrios, os restantes elementos dos 3 anos do curso de Arte&Design estava, simplesmente, miseráveis. E, como é claro, aquilo que poderia ter sido uma noite fantástica para nós, caloirada, tornou-se num pequeno pesadelo que acabou por envolver um coma alcoólico, uma ambulância e uma noite prematuramente arruinada. Imagine-se que ainda não eram 2 horas da manhã e nós já estávamos em casa, a curar a bebedeira de outra pessoa.

Mas não foi para falar sobre o jantar de curso que eu estou a escrever isto. O que acontece é que, como devem saber, eu quase nunca bebo álcool - sou ginasta de competição, lembram-se? - a não ser que seja numa ocasião muito especial e que não tenha treino no dia seguinte. E o que fez esta semana ser tão excepcional foi o facto de eu ter sucumbido à bebida por duas vezes. Mas vá, eu tinha bons motivos. Os anos do Carlos - para quem não sabe, meu irmão - ontem e uma "Pêgas night" no sábado passado. Mas, apesar de elevado estado de embriagada em que eu me encontrava - "Diz às paredes para pararem de se mexer!" - eu consigo perfeitamente lembrar-me das conversas e das maluqueiras que andamos a fazer.

E é aqui que entra o título do poste. Será entre gajos que se apanha as melhores mocas? Ou será entre gajas? Comecemos pela noite de ontem.

Cheguei a casa do Carlos, depois de um treino intensivo, a morrer de fome e a primeira coisa que me meteram nas mãos foi uma mini. "Nice!" Comecei a olhar mais atentamente para a cozinha e começo a ver vários packs de 24 minis espalhados pelo chão e mesa. Senti-me estranhamente horrorizada. Acabei por perguntar ao Carlos quantos éramos e onde estava a comida. Resposta: "Somos seis e estão aqui estas duas pizzas para jantar". "Nice!!" Depois de algumas reclamações, lá foram eles (Carlos e Dani) comprar dois frangos de churrasco. Depois deles chegarem e de termos jantado, eu comecei novamente a olhar para o número exagerado de minis. Na passagem de ano tínhamos 50 minis para o fim-de-semana todo e essas desapareceram quase todas na primeira noite. Eu pensei que eles iriam usar esse número como base, afinal, era só uma pessoa a mais. "Carlos, quantas minis é que vocês compraram?"

"92"

O QUÊ? Mas estes gajos andam loucos? Noventa e duas minis para seis pessoas, tendo em conta que a Catarina não podia beber porque ia pontuar uma prova internacional de acrobática no dia seguinte? Fazendo as contas isso dava... quase 20 minis a cada um! HELLO, EU NÃO COSTUMO BEBER!

Depois de me passar o choque das 92 minis e de ter estado a tentar perceber um programa da MTV onde uma modelo bissexual anda à procura da pessoa ideal para ela, eu desisti de tentar ter uma noite normal e rendi-me ao poker. A sorte é que só estávamos a jogar a fichas, se fosse realmente a dinheiro eu estava totalmente falida. Foi por esta altura que os rapazes se lembraram de ir fumar para a varanda. O problema é que ele não vão apenas fumar, vão conversar, tocar guitarra, excluir as duas meninas da presença deles! E eu detesto quando fazem isso. Quer dizer, eu sempre fui como um gajo para eles, quando é que passei a ser gaja?

Após algumas gargalhadas e as três da manhã a começar a passar, a Cati acabou por se ir deitar. Ela tinha de dormir alguma coisa e devia levantar-se antes das 6h30. Aí eu fiquei totalmente entregue à "festa da mangueira" e, por mais que eu dissesse que deixar a televisão num canal qualquer alemão e fazer as nossas próprias traduções do que eles diziam, baseando-nos nos filmes de "Balas e Bolinhos", não era algo agradável, o álcool já não dava para mais e desde aí que as conversas descambaram por completo. O amigo do Dani estava sentado à mesa, a rir-se do ataque de risos do Isma. O Dani estava a dizer bacoradas e a rir-se do Isma também. O Carlos continuava com as traduções do canal alemão e eu estava ali, no meio deles, enroscada num canto do sofá, a implorar para as paredes pararem de girar, com a mini na mão a olhar para toda aquela desgraça.

Escusado será dizer que, quando o Carlos nos informou que teríamos de dormir os quatro numa cama de casal (informação adicional: eles têm todos mais de 1,85m) eu desatei a correr em direcção ao quarto e atirei-me para cima da cama, para ter a certeza que garantia o meu lugar no colchão. O estranho foi que, depois de eu estar meia hora agarrada às almofadas, fazer cara de má e a dizer: "A cama é minha", dois deles desistiram por completo e acabaram por dormir no chão da sala. Até tive um sono minimamente razoável.

Mas se esta noite parecia interessante do ponto de vista "bêbado", a noite de dia 1 foi o descalabro total. Três melhores amigas + Sex and the City + M&M’s + uma tentativa frustada de cosmopolitans = loucura! Estávamos as três enroladas no sofá de casa da Cati, com o meu pc à frente, a ver a primeira temporada de Sex and the City e com os nossos "cosmopolitans" nas mãos quando eu comecei a implicar com a Joana porque ela, simplesmente não bebia o "drink" que eu, com tanto amor e carinho, lhe havia preparado. "Kika, esta merda é só vodka, isto queima a garganta ao beber, eu vou morrer com isto e a culpa é tua!" esta foi a frase mais ouvida em toda a noite. E, sejamos sinceras, aquilo não era SÓ vodka. Era 10% de groselha e 90% de vodka!

O facto é que, depois do primeiro copo do nosso "cosmopolitan", eu só implicava com a Joana porque ela não estava a beber mais - "Ainda temos mais de meia garrafa de vodka e tem de se acabar isto hoje!" - ou porque ela estava a falar alto demais - "Cala-te, Kika, tu embebedaste-me!" Claro que, se juntarmos este estado de alcoolismo às cenas de sexo, no mínimo, estranhas, que estavam a passar na série, e às nossas conversas de jovens adultas, o resultado eram crises de riso de dois em dois minutos + comentários idiotas em relação às poucas vergonhas que as gajas da série faziam - "Nós vamos ser assim quando formos grandes?"

Por algum motivo que eu desconheço - lamento, esta parte foi realmente apagada do meu cérebro - eram 4h30 da manhã e estava eu a mandar uma sms ao Isma a dizer qualquer coisa do tipo: "A Joana pergunta se tu és quentinho!" Eu penso que isto tenha derivado da conversa sobre a passagem de ano, onde eu disse à Ju que tinha dormido ao lado do Dani e que "ele é um bom aquecedor, não tens frio durante a noite toda!" Agora, como é que chegamos até ao Isma, isso eu realmente não me lembro. O que se sucede é que, depois de cinco minutos com mensagens do tipo: "Vem para cá já que a Ju quer uma cena a três!" o puto acabou por aparecer e sentar-se ao nosso lado a ver Sex and the City - "Não! Não bebes! Isto é só nosso!"

Às 5h15 desistimos de tentar perceber o episódio de "ménage à trois" e seguimos para o quarto da Cati onde, supostamente, iríamos dormir as três na cama dela. Mas, como tínhamos um "intruso convidado" acabámos por nos dividir em dois grupos ficando eu e a Cati na cama, a Ju e o Isma no chão. E assim, no escurinho do quarto, surgiram diálogos como: "O Ema?" "Ema?" "As emas põem ovos da páscoaaaa!" (Tradução: O Ema é um amigo nosso que não víamos há séculos e encontramos naquela noite no Jumbo. Os ovos da páscoa é efeito da bebedeira.) Ou então: "Ju..." "O puto tirou a camisola!" "Oh meu merlin, ele está nu?!" "Camisola, Kika, camisola..." Ou ainda: "Epa, oh Cati, a rena está a fazer tic-tac!" "O quê? A rena está a fazer strip tease?!" (Tradução: A rena é um relógio. A Joana já não bebia mais.)

Mas, se pensarmos que estas conversas eram deviradas do álcool, então as conversas da manhã seguinte (milagrosamente, sem ressacas) ainda conseguiam ser mais estranhas. Coisas como: "O urso da coca-cola dominou-me e possuiu-me", "O rabo do bicho não é eréctil e não vais meter fita-cola!", "Esquecemo-nos de abusar do puto!" ou "Importaste de dizer ao teu calcanhar para parar de me tentar violar?" poderam ser ouvidas naquele quarto.

Em resumo, e voltando ao título do post, das duas uma: ou as minis não são suficientemente fortes para dar uma moca daquelas, ou a vodka não faz grande efeito quando as gajas estão juntas. Por isso, se é para a puta a loucura, recomendo que juntem as vossas melhores amigas + Sex and the City + cosmopolitans verdadeiros e não invenções + casa vazia, de preferência, para não acordar ninguém.
Bjos!

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Torneio de Abertura

Cansada, cheia de fome e a morrer de sono. Foi assim que eu regressei da primeira prova nacional de AG do ano. E, estranhamente, o meu dia não teve nada a ver com o que escrevi no último post. Em primeiro lugar, o meu trio não foi para competir ao melhor nível. A minha volante e a minha intermédia estão ambas lesionadas e com varias limitações de movimentos. Por isso, em vez de chegar e apresentar dois esquemas, optamos por ir à prova apenas para fazer esquema de equilíbrio. Claro que, com apenas um dos dois exercícios pedidos, nós não esperávamos mais que rodar esquema e ficar em último no ranking.

Acordei eram três da manhã, com uma maldita de uma insónia que não me deixou dormir mais. Eram cinco e dez quando me rendi ao facto de que realmente não conseguia dormir mais e acabei por me levantar. Andei às voltas pela casa, feita zombie, a tentar comer alguma coisa decente e fazer hora para ir para o estádio. Saí por volta das seis - Merlin, ainda era noite cerrada! - e encontrei-me com a Carla e a Inês para seguirmos em direcção ao local marcado.

(Aparte: Sabem uma coisa que realmente é interessante? O meu treinador gosta de nos deixar em pânico. A primeira coisa que ele nos diz quando chegamos ao pé dele é: "A Ana Rita ontem magoou-se em esquema. Fez mortal para joelhos e, ao fazer a recepção, deslocou o joelho." Resposta minha: "JP, importaste? Eu vou fazer esse individual daqui a pouco!")

Todos dentro da carrinha (JP, Rui e João, Rita, Carla, eu e a "pendura" da Inês), lá seguimos viagem até Cascais. É tão divertido ir o caminho todo a falar de gym, a relembrar os "velhos tempos" da classe e a supor que poderia acontecer se eu passasse para 5/4 no meu mortal atrás e fosse parar em cima da mesa de juízes (Comentário do JP: "Sabes, os juízes costumam ter agrafadores em cima da mesa, não era conveniente ficares lá agrafada!"). Chegados ao pavilhão, começamos a aquecer. Tendo em conta que nós só tínhamos um esquema, despachamo-nos rapidamente e, assim que a prova começou, sentámo-nos a ver as provas dos outros grupos, enquanto esperávamos pela nossa passagem (as provas são divididas por várias "partes" com cerca de oito grupos cada parte, às quais se chamam "Passagens".)

O nosso par masculino (Rui e João) apresentou esquema de dinâmico na terceira passagem e, sinceramente, não sei o que se passou com eles. O João simplesmente teve uma branca, esqueceu-se do esquema, estava parada no meio do praticável a olhar para o chão, esperando que o Rui lhe indicasse o resto do esquema. Foi bastante estranho ver o masculino a enganar-se tanto em esquema, eles eram AA’s (alta competição) o ano passado.

Penteados e maquilhagens feitas, fato vestido e perfeitamente colocado, sorriso no rosto, atitude de "Eu-sou-a-maior" e siga para esquema. Apresentação ao júri, apresentação ao publico, posição de início e coreografia. Estes são (sempre!) os dois minutos e meio mais rápidos da vida de uma pessoa. Mal tinha começado o esquema e já estávamos a apresentar para sair do praticável. Resumindo o esquema, tivemos uma falta de pino e uma queda em posição, 18, 150 pontos de nota final, com 5,900 de dificuldade (As notas dos esquemas são dadas por 10 pontos de dificuldade - que muda consoante o que conseguimos fazer -, 10 pontos de técnica - perfeição da realização de elementos - e 10 pontos de artística - esquema, fatos, sorrisos, etc), ranking 4. E aqui está o nosso grande espanto. Para as classificações finais são feitas pela soma das notas dos dois esquemas, se nós só tínhamos um esquema, era teoricamente impossível conseguir passar à frente de quem quer que fosse. Mas a verdade é que, não só conseguimos essa estranha proeza, como ficamos a apenas 5 pontos do terceiro lugar. Contas feitas mais tarde, percebemos que, caso tivéssemos feito um esquema limpo, teria, sem sombra de dúvida, ido ao pódio.

Com a competição terminada, seguiu-se o desfile dos ginastas e a entrega de medalhas. Pela primeira vez, eu fui porta-estandarte da classe. Senti-me realmente orgulhosa pois, segundo as regras, o porta-estandarte é a pessoa que se encontra à mais tempo na classe - seis anos entregue a isto. Medalhas entregues (o masculino ganhou a prova. Yay, eram os únicos da sua especialidade! xD), desfile terminado, conversa com o treinador passada e vamos almoçar. E onde vamos almoçar? PIZZA!

Foi a loucura na Telepizza. Desde o JP e o Rui a implicarem connosco (comigo e com a Claúdia que, entretanto, apareceu e colou-se a nós) porque estávamos a comer demais e depois ficávamos gordas e eles não nos ajudavam mais nos mortais, até nós a implicarmos com eles porque tínhamos fome e tínhamos de comer se queríamos ter força para fazer os esquemas. Somando isto a Nestea por todo o lado - os copos estava estragados!! - volantes a rir histericamente e as raparigas a rir e a implicar que a pizza extra que tínhamos pedido nunca mais chegava.

Almoço na barriga, siga para Coimbra - com uma pizza extra nos braços. Na carrinha - OMG, eu tenho pena dos que estavam connosco - lembramo-nos de cantar as músicas do Moulin Rouge e com as vozes lindas que nós temos, acho que toda a gente ficou com uma boa dor de cabeça. Mas, se acham que cantar Moulin Rouge foi mau, havia de ter ouvido a nossa versão de "Relax" do Mica. É, simplesmente, torturável.

Balanço final da prova: estou satisfeita. Fomos apenas para rodar esquema, sabendo das limitações que tínhamos e correu relativamente bem. Portanto, que venha o distrital!